Seria bom que as escolhas

que fazemos decorressem apenas daquilo que achamos que nos dará mais prazer ou realização pessoal ou profissional sem atendermos às inegáveis pressões morais, sociais ou económicas que lhes estão intrinsecamente ligadas.
Mas não é assim que acontece e eis-nos presas a convenções que não assinámos mas com que compactuamos. Enchemos a boca com liberdade de escolha, direitos adquiridos, emancipações mas cá nos têm, aparentemente submissas, ainda que nos revoltemos e mordamos por dentro.
No final, o resultado mantém-se invariável, salvo raras excepções por que pagamos elevado preço.
Todos nos deparamos, em determinado momento do percurso, com encruzilhadas onde se impõe tomarmos uma decisão. Qualquer ganho pressupõe uma perda, já se sabe. A contabilidade de cada um que permite avaliar perdas e danos resultará em balanços mais ou menos positivos. Todavia, arrisco-me a dizer que são as mulheres quem mais fichas põe sobre a mesa de jogo. Quando ganham, é uma vitória suada que traz um sabor amargo de preço muitíssimo alto a pagar. Quando perdem, porém, perdem duplamente: pela sua própria perda e pela perda vista pelos outros.
Uma mulher que ascendeu a um determinado lugar de poder no emprego, dormiu com o patrão. Um homem que conquista lugar similar é um vencedor.
Uma mulher que se divorcia é uma leviana e transforma-se, rapidamente, aos olhos dos outros, numa presa fácil. Um homem que se divorcia passa a ser um gajo disponível, interessante até, pronto a viver de novo a juventude perdida.
Uma mulher sozinha com filhos faz das tripas coração para ser mãe e pai, amiga e protectora, e não tem o direito de pedir um fim de semana para si própria. Um homem sozinho com filhos tem à sua disposição mãe, irmã, amigas, colegas de trabalho, que se desdobram em esforços para se mostrarem úteis e atenciosas.
Uma mulher que causa um acidente de viação é uma aselha. Um homem que causa acidente equivalente é um ás do volante que se distraiu.
Uma mulher que é despedida é uma incompetente. Um homem despedido é um incompreendido e falho de sorte.
Uma mulher nas forças armadas é uma exibicionista que só causará problemas na instituição. Um homem nas forças armadas é um herói a quem a farda assenta a matar.
E por aí fora. O que nos leva a concluir, ainda que injustamente generalizemos padrões, que são elas quem mais perde neste jogo de escolhas e apostas de que é feita a vida.
É portanto uma valente patranha que somos donos da nossa vida; somos, sim, os accionistas minoritários que têm de seguir as indicações de quem mais pode e manda, e convém que o façamos com um magnífico sorriso nos lábios, de cabelo e unhas arranjados e com roupinhas bonitas, a ver se nos desculpam qualquer coisinha.

4 Comments:

Blogger disparosacidentais said...

mais nada?

março 18, 2006 12:50 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

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fevereiro 28, 2007 1:08 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

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Anonymous Anónimo said...

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abril 24, 2007 12:35 da manhã  

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