Às vezes o cansaço é tal

que não olha o rio. Leva o jornal dobrado sobre as pernas, o livro fechado dentro da mala, a rádio a passar nem sabe bem que músicas e joga. De telemóvel na mão apenas a fúria dos seus dedos passando mais um nível de tetris ou de zuma. Quando o cacilheiro descreve a curva, levanta-se, caminha para a porta de olhos fixos no telemóvel e um nível mais já nem lhe sabe a nada. Por vezes sente um pequeno toque no cotovelo. Não liga, deve ser alguém a ajeitar o casaco. Depois o toque repete-se, olha aborrecida, ah, é alguém conhecido. A contra gosto tira um, apenas um dos phones, troca meia dúzia de frases de circunstância e cada qual segue o seu caminho com desculpas esquivas, um dia destes têm de ir beber qualquer coisa, a ver se põem a conversa em dia. Mas a conversa não apetece e um destes dias o episódio há-de repetir-se.

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